“Viver a experiência de ser amado por Deus, transbordar esse amor e dar a vida pela Igreja” compreende a sentença-síntese que expressa o carisma de fundação da Comunidade Católica Querigma, o qual se inspira na narrativa da primeira multiplicação dos pães, do sexto capítulo do Evangelho segundo São Marcos, entre os versículos 30 e 44:

“Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não têm pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas. A hora já estava bem avançada quando se achegaram a ele os seus discípulos e disseram: ‘Este lugar é deserto, e já é tarde. Despede-os, para irem aos sítios e aldeias vizinhas a comprar algum alimento’. Mas ele respondeu-lhes: ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’. Replicaram-lhe: ‘Iremos comprar duzentos denários de pão para dar-lhes de comer?’. Ele perguntou-lhes: ‘Quantos pães tendes? Ide ver’. Depois de se terem informado, disseram: ‘Cinco, e dois peixes’. Ordenou-lhes que mandassem todos sentar-se, em grupos, na relva verde. E assentaram-se em grupos de cem e de cinquenta. Então, tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e os deu a seus discípulos, para que lhos distribuíssem, e repartiu entre todos os dois peixes. Todos comeram e ficaram fartos. Recolheram do que sobrou doze cestos cheios de pedaços, e os restos dos peixes. Foram cinco mil os homens que haviam comido daqueles pães” (Mc 6,30-44).

Assim, queremos responder, afirmativamente, ao convite que nos foi dirigido pelo Papa Francisco, em sua Exortação Apostólica Evangelii gaudium, “a alegria do Evangelho”, sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, de 24 de novembro de 2013:

“Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Repito aqui, para toda a Igreja, aquilo que muitas vezes disse aos sacerdotes e aos leigos de Buenos Aires: prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa em um emaranhado de obsessões e procedimentos. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida. Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’ (Mc 6,37)” (n. 49).

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